A pashmina é tecida com a lã nobre obtida do sub pelo das cabras Changra, criadas no platô de Changtang, nos Himalaias, região de Ladakh. O termo “pashm”, de origem persa, refere-se ao fio, enquanto “pashmina” designa o tecido, tradicional da Kashmir e conhecido na Europa dos séculos XVII e XVIII como “cashmere”.
As cabras são pastoreadas pelos nômades Changpa, de origem tibetana que desde tempos antigos se adaptaram às condições extremas da região do imenso plateau chamado Chantang, onde o inverno chega a -40 °C. Na primavera, cerca de 30% do sub pelo é retirado manualmente com pentes, sem tosquia, preservando o bem-estar animal. Essa fibra finíssima e leve, com alto desempenho térmico, é o que garante a sobrevivência dos animais e dá origem a um dos tecidos mais valorizados do mundo.
O processo é totalmente artesanal e sustentável, valorizando a cultura Changpa. Os nômades, de origem tibetana, são budistas, vivem em tendas de lã feltrada de yak e mudam de acampamento muitas vezes por ano em busca das pastagens para as cabras.
Os Changpa cortam e guardam fardos de pasto e raízes secas, que ficam protegidos em abrigos rústicos. Em alguns pontos, as cabras também conseguem arrancar musgos e liquens que crescem entre pedras expostas pelo vento. Esse manejo é essencial, pois no inverno as temperaturas chegam a -40 °C e a neve profunda impede o pastoreio.Durante o verão, cabras e pastores percorrem as montanhas adotando a rotação de pastagens, preservando o habitat e mantendo viva uma tradição que une natureza, técnica e história.
Entre essas montanhas que quase tocam o céu, homens e mulheres seguem os passos de seus antepassados, conduzindo cabras que carregam nos seus pelos o segredo de suportar o frio mais cortante. É ali, no silêncio de Ladakh, que cada fio de pashmina nasce — não apenas como tecido, mas como um sopro de vida que atravessa séculos.
Fotos Pie Aerts